Os Jogos Olímpicos

“Orandum est ut sit mens sana in corpore sano”

O povo grego cultua a saúde de sua alma tanto quanto a saúde e a beleza do corpo.  Os gregos têm um grande respeito pelos atletas e suas  competições, as quais eram realizadas  com a finalidade de manter a memória do morto. Para os gregos  a morte consistia numa perda de memória; um morto sem culto era um morto anônimo, o que se constituía  numa espécie de morte do eídolon. Assim os jogos fúnebres eram in memoriam honoremque mortuorum, para que nem os vivo perdessem a memória deles e nem perdessem a memória de si mesmos.  Os agônes, ou participantes dos jogos, eram parte intrínseca do culto dos mortos[2].  Os jogos in memoriam eram uma exaltação às virtudes heróicas do falecido, a sua timé e areté.

Na Grécia antiga quatro jogos Pan Helênicos se destacaram; em suas origens foram dedicados aos heróis e em suas memórias foram celebrados. Esses jogos se realizavam a cada quatro anos, de tal forma que anualmente um dos jogos acontecia.

Os jogos Neméios ocorriam na cidade de Neméia, região da Argólida, e foram instituídos, quando da guerra dos Sete contra Tebas, em honra de um menino morto por uma serpente. Mais tarde foram dedicados a Zeus.

Os jogos Ístmicos aconteciam no istmo de Corinto e foram instituídos por Teseu, em memória ao gigante Sinis eliminado pelo próprio herói quando o mesmo se dirigia para Atenas a fim de apresentar-se a seu pai Egeu. Os jogos passaram, ao longo dos tempos, ao domínio de Posídon, pai mítico do herói.

Os jogos Píticos, realizados em Delfos, foram instituídos por Apolo para aplacar a serpente-dragão morta pelo próprio deus quando o mesmo disputou a soberania do oráculo. Mais tarde passaram a ser consagrados ao próprio deus mântico.

Finalmente os jogos Olímpicos, instituídos na cidade de Olímpia, região da Élida, por Pélops e em honra de Enômao. Quando o jovem herói, renascido pelas mãos dos divinos, após ter sido morto por seu pai Tântalo, disputou a mão de Hipodamia, entrou em combate com seu sogro Enômao e acabou por matá-lo. Os jogos entraram no esquecimento, ao longo do tempo mítico, tendo sido reinstituídos por Héracles, em  honra de Zeus.

Historicamente os jogos Olímpicos foram instituídos em 776 a.C. constituindo-se de uma única prova, a corrida de 192,27 metros, feita em torno do altar de Zeus. Em 708 foi acrescentado o pentathlon, a mais apreciada das modalidades esportivas, composta de cinco provas eliminatórias. Da primeira podiam participar quaisquer concorrentes que carregavam halteres os quais se soltavam quando do salto. A distância mínima a ser atingida era 1,70 metros. Os classificados concorriam no lançamento de dardo, da qual saiam os quatro mais bem colocados que participavam  da  corrida de 192,27 metros; desses somente três iam para o  lançamento de dardo e, finalmente, os dois melhores disputavam a luta, cujo vencedor era aquele que lançasse  o adversário três vezes por terra.

Em 648 AC, três novas competições foram incluídas nos jogos: o pugilato; as corridas hípicas, nas quais corriam-se 768 metros com o animal em pelo, e as corridas de bigas ou quádrigas. No início do século VI a.C. surgiu o pankrátion ou força total, fusão da luta com o pugilato: o vencedor só era proclamado se jogasse seu competidor  no  chão e o obrigasse a se declarar vencido.

Todos os concorrentes deveriam ser homens livres, sem nunca ter incorrido nas penas da lei; as mulheres não participavam dos jogos e os atletas competiam absolutamente  nus.

O vencedor recebia uma coroa com folhas de oliveiras silvestres.  Voltar para casa como um vencedor de jogo Olímpico era uma grande honra para a cidade que mandava seu competidor. A cidade se tornava mais famosa quando tinha um grande vencedor de jogos Olímpicos do que quando vencia uma batalha.  Essa era a grande importância de ser um atleta bem treinado.

Nas primeiras competições dos jogos Olímpicos quem vencia quase todas as provas eram  os espartanos,  tradicionalmente grandes cultores do corpo; consta que alem de competirem absolutamente nus, besuntavam o corpo com óleo de oliva para se tornarem escorregadios nas lutas. Os espartanos eram tidos como muito agressivos e venciam em geral pela prevalência da força física.

Os jogos Olímpicos foram disputados por 12 séculos, até o ano de 393 d.C. para então se manterem adormecidos, sendo retomados somente após quinze séculos, em 1896 pelo Barão Pierre de Coubertin que, em nome da confraternização dos povos civilizados, acendeu novamente a tocha olímpica.

Maria Zelia

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